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ANO XV - Nº 533         Entrevista publicada no período: 23/06/2002 a 29/06/2002

Espera Perigosa

Desenho: Geraldo Leal de MoraesEm tempos repletos de acontecimentos como este, em que a Copa do Mundo as eleições costumam disputar espaço tanto na mídia quanto na opinião pública, existe a tentação de os empresários se acomodarem para aguardar os resultados dos jogos e das urnas. No entanto, esse compasso de espera, que acaba refletindo-se no comportamento do mercado e adiando ações estratégicas vitais à sobrevivência de uma organização, pode ser fatal àqueles que não souberem identificar o momento certo de parar de observar para começar a tomar decisões.

Independentemente da conquista do pentacampeonato ou do novo presidente que será eleito ainda em 2002, a busca por novas oportunidades de negócio em uma economia globalizada deve ser constante e praticada de forma dinâmica. Quem alerta para o perigo dessa tendência à acomodação dos dirigentes empresariais brasileiros é Geraldo Leal de Moraes, autor do livro As 7 Fases da Venda e diretor da MCA Consult - Moraes e Consultores Associados - e-mail: geraldo@mcaconsult.com.br -, Tel.: (11) 3881-4659. Em depoimento exclusivo, ele fala sobre a importância de estender o clima de otimismo verde-amarelo para todas as épocas do ano.

  • ZONA DE CONFORTO

"O empreendedor brasileiro tem medo de mudanças em razão da sua própria característica pessoal de individualismo. Nesse aspecto, um dos grandes problemas dos dirigentes empresariais é a solidão, a falta de compartilhamento da gestão corporativa que acaba gerando esse medo, além da resistência a sair da zona de conforto provocada por um clima extremamente favorável e pela fartura de recursos naturais. Por não ter vivenciado ainda os desafios de uma economia competitiva em um ambiente hostil, o empresário nacional reage com certo conservadorismo que impede a abertura para novas soluções. O brasileiro só pensa em se ajustar a uma situação quando ela já é uma realidade, ou seja, ele não faz um planejamento prévio e daí tem que usar toda a sua criatividade e a capacidade de adaptação para correr atrás do prejuízo. O empresário tem que ser efetivamente um profissional dentro da empresa, e não agir como se fosse um acionista."

  • VISÃO HISTÉRICA

"Existe no Brasil a ousadia diante de um fato concreto, mas falta aos nossos empresários um pouco de visão histórica e sistêmica em relação ao futuro. Como não se trabalha com perspectivas, quem não tem essa visão histórica acaba tendo uma visão histérica, pois existe sempre a possibilidade de ser pego de surpresa por algo não previsto. A tendência a adiar decisões em razão de fatores externos pode colocar uma empresa em perigo no sentido da perda de oportunidades, dos próprios funcionários, do tempo e do investimento em capacitação. Uma negociação que deixa de ser feita vai abrir espaço para que outros atuem e conquistem esse espaço no mercado. Convivemos ainda com a distorção provocada pelos trinta anos de inflação, que tiraram dos dirigentes empresariais a capacidade de controlar o caixa e de vir a trabalhar dentro de um orçamento. Por isso, estamos atravessando uma fase de aprendizado e precisamos investir muito nesse aspecto. Como nos acostumamos com margens altas, os custos e as estruturas também se tornaram elevados, e quando essa margem tende a cair, por causa da competitividade, as empresas simplesmente quebram."

  • AUTO-ESTIMA

"Devemos viver essa sensação de patriotismo que se manifesta atualmente sem esperar o resultado da Copa do Mundo e a definição das eleições. Se fizermos isso, já estaremos revertendo a crise, porque todas as perspectivas referentes ao Brasil são tremendamente favoráveis, uma vez que somos considerados o país que mais irá crescer no século XXI em razão do nosso potencial e da nossa riqueza. O que se questiona é se esse controle estará nas mãos dos capitalistas brasileiros ou das multinacionais. Para não correr esse risco, temos que recuperar a auto-estima da bandeira brasileira e levar produtos e serviços para todo o mundo. O que falta é diálogo com a população, buscando adaptar as estruturas empresariais aos valores das pessoas. Os políticos e os empresários decidem e dão ordens como se ainda estivessem na época das grandes senzalas, e o brasileiro não aceita esse tipo de postura."

Geraldo Leal de Moraes

Consultor de Estratégia Empresarial e Educação Corporativo

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