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Saber Vender na Globalização

Em recente reencontro de estudos na Anpar (Associação Nacional de Administração Participativa) com o casal Afonso Fleury, professor da Escola Politécnica, e Maria Tereza Leme Fleury, professora titular da FEA-USP, que têm se ocupado com o estudo da Globalização e suas conseqüências nas economias dos países, e tiveram a oportunidade, nestes últimos anos, de analisar in loco Japão, Coréia, México e França, fizeram um importante depoimento de suas constatações.

As atividades das empresas estarão aonde estiverem as competências ou, em outras palavras, o processo de desenvolvimento tecnológico das empresas será liderado nos países aonde estiver a competência de desenvolvimento das pesquisas básicas e das aplicadas.

Os Fleury colocam os fundamentos de que cabe, neste momento histórico do desenvolvimento, um papel importante às empresas transnacionais, pois elas determinarão em quais países estarão as atividades de pesquisas, desenvolvimento de produtos e serviços, tecnologia e gestão ou, simplesmente, de manufatura de produtos.

Se um automóvel ou um computador pessoal são commodities o que restará a nós brasileiros? Apenas, eventualmente, manufaturá-los?

A definição de competência é: saber agir.

Estes dois excelentes estudiosos do fenômeno globalização definem assim a importância da gestão da competência no processo de liderança mundial.

E esta competência, quando fundamentada de forma responsável, consciente e reconhecida, cria o processo, dentro de um contexto profissional, de saber mobilizar, integrar e transferir.

A transferência de recursos, conhecimentos e capacidades requer, das políticas nacionais dos países e das empresas, uma ação clara para que não haja perdas neste novo processo de negociação mundial.

Ficam claros os riscos, por não termos, nas empresas nacionais, um desenvolvimento sustentado em pesquisas básicas e aplicadas, pelo hábito, que ainda persiste, de termos crescido apenas com o fechamento da fronteira econômica e fora do ambiente competitivo e, principalmente, pela ausência de trabalho conjunto entre universidades, centros de pesquisas e Governo.

Fica claro também o risco pelo abandono do ensino básico e do profissionalizante e da ausência de políticas públicas, principalmente de política industrial, visando um desenvolvimento sustentado.
Foi um equívoco termos ficado muitos anos na prática da reserva de mercado, fora da aspereza da competitividade mundial, e a abertura era necessária apesar dos sustos, surpresas e mortes súbitas. Agora, temos de entender o que está acontecendo e sermos pró-ativos.

Inicialmente, a globalização é financeira, passando para comercial e do setor produtivo até chegar a uma globalização com forte influência nas instituições e políticas públicas dos países.

Neste processo irreversível, nosso papel dependerá da expansão de nossa consciência coletiva como Nação e de nossa competência de negociação como empresários.

É preciso que saibamos sair do momento histérico e defensivo, de ainda proteger o emergente mercado brasileiro para nossos produtos e serviços, evitando a competição com as terríveis empresas transnacionais, e aproveitemos o momento histórico para rever nossas posições e explorarmos as muitas oportunidades que surgem.

Passada a descompressão de uma inflação crônica é hora da formulação de políticas públicas de desenvolvimento por parte da Nação e de estratégias de médio e longo prazo pelas empresas nacionais.

Um novo pacto dos agentes econômicos deve ser feito para, como afirmam os professores Afonso e Maria Tereza, antecipar os movimentos das transnacionais e se obter negociações mais vantajosas para nosso País.

Pois as transnacionais que ainda não chegaram, com certeza para cá virão.

É preciso reestruturar imediatamente nossas capacidades empresarial, tecnológica e gerencial, neste novo cenário mundial, e isto só depende de nós.

Geraldo Leal de Moraes

Consultor de Estratégia Empresarial e Educação Corporativo

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