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O custo Brasil e a competitividade

Florianópolis, 07 de fevereiro de 2008

Artigo: O custo Brasil e a competitividade

Publicado no jornal "O Estado de São Paulo" em 17 de agosto de 1996.

Escrevi o artigo que foi publicado em 17 de agosto de 1996 no jornal “O Estado de São Paulo” que está mais do que nunca atual e nos remete a reflexões importantes. Os convido a leitura e reflexão:

"Para onde vai o meu negócio? Esta é a pergunta que todo empresário gostaria de responder em uma economia que atravessa um processo de mudanças rápidas, como:

  • Globalização da economia;
  • Desenvolvimento da tecnologia em velocidade antes nunca vista;
  • Desestruturação do sistema hierárquico e o fim da empregabilidade.

É, meu caro empresário, isso tudo acontece com mais ênfase no Brasil, pois, por incrível que pareça, nosso país, levando-se em consideração os últimos cem anos, foi o que mais cresceu e será o que mais vai mudar. Nosso crescimento relativo foi fantástico, e nossas oportunidades futuras mais fantásticas ainda.

Entretanto, vivemos historicamente duas situações constantes que retardaram o processo de integração ao Primeiro Mundo, como muitos acreditavam há alguns anos.

  • A oferta de produtos e serviços nestes cem anos foi muito aquém de uma demanda sempre reprimida, e o dono do produto ou serviço fez o preço repassando toda a sua ineficácia e ineficiência ao cliente, que só tinha duas alternativas: pagar ou cair fora.

A expressão comumente usada era “afinal das contas, a mercadoria é minha e eu faço o preço”.

  • Um nacionalismo batizado de “modelo de substituição de importação” que garantia a reserva de mercado como fonte não só de sobrevivência, mas de domínio imperial e lucrativo das empresas que nunca souberam o que é competição (nacionais e multinacionais).

O crescimento do Brasil, entretanto, continuará e em uma velocidade maior, pois estamos carentes de tudo.

Mas o cenário hoje é outro. Vivemos a irreversibilidade de sermos parte de uma economia globalizada e estarmos inseridos em um mercado competitivo. E, por mais lobby contrário que se faça e retardo de medidas que se consiga, o momento é desesperador para os empresários que ainda não acordaram. Nossa economia tem um custo altíssimo, chamado custo Brasil, que ainda nos tira do mercado competitivo e por si só é insustentável.

O que fazer?

  • Enfrentar a realidade.
  • Respeitar o mercado, identificando as necessidades e expectativas dos clientes e atende-las, se possível superando-as.
  • Saber que quem faz o preço é o mercado.
  • Redefinir qual é o meu negócio e conhecer meu atual grau de desenvolvimento tecnológico.
  • Identificar por meio de meus processos de trabalhos as oportunidades e riscos eliminando tudo que não resulte em valor agregado e comprometa produtividade e qualidade.
  • Gerir meus custos para que o meu preço seja menor que o do mercado internacional.
  • Ter uma estratégia de remuneração de pessoal variável, criando um clima participativo e de compromisso.
  • Passar do saber ao fazer (este item é o mais difícil).

Este trabalho hercúleo que temos que iniciar já."

Muitas das empresas e entidades que seguiram os passos recomendados no artigo estão inseridas no mercado, a maioria que ignorou já não está mais para contar a história.

Entretanto, o que é muito grave é que de 1996 aos nossos dias a carga tributária aumentou e muito, a infra-estrutura de logística (estradas, aeroportos e portos), de energia, de educação, de saúde e de saneamento básico tem se deteriorado mais. O custo Brasil é maior.

Tivemos o apagão da eletricidade, o choque da dívida externa, o apagão aéreo, o inchasso do governo e uma tendência de estatização sem sentido. A deteorização em geral da prestação dos serviços públicos.

É mais do que nunca necessário um choque de governança coorporativa.

Sobreviverão as empresas públicas ou privadas, entidades, governos, países que tiverem produtos, serviços e soluções competitivas com qualidade, preço, excelência no atendimento ao cliente a nível mundial e souberem reduzir custos e eliminar desperdícios. Melhoria de produtividade é a resposta adequada para se melhorar competitividade.

Perdemos a grande oportunidade dos 5 (cinco) anos de crescimento sustentado que teve a economia mundial e não fizemos a lição de casa.

No dia 29 de dezembro de 2007 viajei de carro de São Paulo para Florianópolis. A viagem foi terrível e levamos minha família e eu, o tempo de 17 horas (vejam as fotos). O descaso é total. A sensação de abandono, de falta de dignidade, de impotência e de revolta de todos (principalmente dos caminhoneiros) foi indescritível. Este é um custo Brasil inexplicável. Quem é o Ministro dos Transportes? Qual sua capacitação para o cargo? Quem o nomeou e por quê? A impunidade e a nossa incapacidade de indignação e reação são responsáveis por este absurdo custo Brasil.

Já seriamos país de primeiro mundo e não correríamos os riscos atuais, apesar, de que ainda temos todas as oportunidades de vir a ser o país que mais crescerá no século XXI.
Depende de uma atitude nossa.

 

Foto: Custo do Brasil Foto: Custo do Brasil

Geraldo Leal de Moraes

Consultor de Estratégia Empresarial e Educação Corporativo

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