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A Crise Não Acabou... Ela Está Começando

Florianópolis, 10 de junho de 2009.

O mês de maio termina com um ganho de 46% no ano de 2009 na cotação da Bovespa.
O Real se valoriza e a cotação cai para menos de R$ 2,00 por dólar, a popularidade de Lula sobe para 82%, à sensação é de que a crise não chegou aqui ou já se foi.

Há quase um ano escrevi que o sistema financeiro mundial tinha se exaurido e estava falido. A quebra dos bancos, iniciada pelo Lehman Brothers era o início do processo de desmonte de uma economia baseada neste sistema. A quebra do Lehman Brothers era o sinal evidente.

Quero fazer uma reflexão com você, minha amiga e meu amigo.

Foto: Estátua O sistema financeiro está lastreado no dólar, que serve como referencia de base de trocas para toda a economia mundial.

A confiança no sistema dinâmico e precário se realiza através da compra de títulos do tesouro americano, que dá uma garantia e segurança às aplicações.

A economia americana há muitos anos gasta mais do que ganha, ou seja, consome mais do que os recursos que produz.

Existe um déficit crescente e crônico de muito tempo.

Os paises asiáticos, Japão e China principalmente, os países do oriente médio como Arábia Saudita e também o Brasil dão sustentação a este déficit comprando títulos do tesouro americano.

Assim funciona a roda do mercado, da economia real, entretanto o financiamento do consumo da maior economia do mundo, os EUA, dava condições para importação de produtos japoneses, chineses, brasileiros e etc.

Nos últimos seis anos este modelo e sistema, que tem já 25 anos, se inchou com a criação de créditos podres e aumento de emissão de dólares que regavam o mundo.
A ganância acelerou o processo.

O risco de uma ruptura total levaria a economia a sua desestruturação total e provavelmente a uma nova guerra. O que ocorreu nos últimos meses?

Para se evitar a quebra da maioria dos bancos e das grandes empresas (GM é uma delas) os bancos centrais do mundo começaram a tentar irrigar a economia com créditos oficiais e políticas de quase eliminação de juros.

Os EUA neste e nos próximos anos terão um déficit fantástico e continuaram emitindo dólares.

Charge: General Motors vira Atacou-se a febre e o risco da morte súbita da economia mundial.

Os valores da economia real começaram a ser precificados, ou melhor, atualizados aos valores reais, sem a abundancia falsa de crédito, mas bancos e empresas no seu modelo perceberam e realizaram os prejuízos e atualmente muitas delas estão quebradas e prolongam apenas a sua subsistência.

Chega a hora da verdade. A GM quebra e pede concordata. Os governos americano e canadense assumem mais de 70,5% das ações.

Onde estão as causas da crise?

Quais os grandes riscos se estas causas não forem identificadas e resolvidas?

A causa principal é que o dólar não tem mais condições de ser o lastro financeiro do mundo.
Não há credibilidade e vivemos um mundo política, financeira e economicamente multipolarizado.

Houve, também, um esvaziamento dos organismos internacionais, como FMI, ONU, etc, que deveriam ser acatados e respeitados por todos os países do mundo e que atuassem com regras claras, transparentes e objetivas, permitindo um arbitramento e regulação do sistema financeiro mundial.

Um dos caminhos é a criação de uma “cesta de moedas” das nações que compõem hoje o G20, mas que proteja as pequenas economias e a criação de um banco central mundial.
Alternativas devem ser consideradas ouvindo-se China, Índia, Japão, Países Europeus e Brasil também.

É importante se crie novas regras e base para a criação de uma ordem financeira, a atual se esvaiu.

Quanto a nós Brasil, cautela e canja de galinha além de serenidade e prudência são necessárias, pois fazemos parte do mundo e devemos fazer parte da solução.

Temos líderes competentes para um futuro Banco Central Mundial, como Armínio Fraga e Henrique Meirelles e não podemos achar que “as crises causadas pelos outros” ou “pelos loiros de olhos azuis” cheguem aqui como “marolinhas” e que seremos “o último a entrar e o primeiro a sair” sem fazer nada internamente além de desconhecer a realidade do mundo.
A crise não acabou... ela está começando... aqui no Brasil também.

 

Geraldo Leal de Moraes

Consultor de Estratégia Empresarial e Educação Corporativo

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