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Cartas

 

Mensagem de Ano Novo.

 Carta ao Presidente do Povo Brasileiro com cópia para os Ministros da Casa Civil e do Planejamento e meus Amigos e Amigas.

Foto: Presidente Lula“O Estado que nós queremos é aquele que nós podemos pagar”.

O Estado Brasileiro no seu atual estágio é caríssimo e oferece ao seu povo quase nada. É um Estado arrecadatório que utiliza mal os recursos que só serve para sustentar uma estrutura burocrática e corrupta. Nada sobra para investimento na melhoria da sociedade.

Este é o verdadeiro dilema que o Presidente Lula e todos nós devemos enfrentar no ano que se inicia.

Manter o “status quo” é ir a direção do precipício político e não ir a direção do processo evolutivo social e econômico da comunidade brasileira.
  Fernando Henrique perdeu aqui as eleições e apoio, pois todos nós brasileiros queremos evoluir.
Somos ainda um país de estrutura escravagista e dominado por “coronéis políticos”, que junto a um corporativismo de burocratas aposentados e magistrados resistem ao processo de modernização.

O brasilianista Thomas Skindore, de 71 anos, em recente entrevista ao Estado de São Paulo afirmou: “Corporativismo é o maior desafio do Governo”.

Os novos ocupantes dos cargos administrativos são em geral presa fácil a este sistema que corrompe e solapa as bases do desenvolvimento sustentado. Aqui o PT, também, pode ser engolido facilmente.

Desmontar a estrutura sindical ligada ao Estado (tanto patronal, dos trabalhadores e profissional), seria um grande passo neste processo e criaria as condições para uma verdadeira reforma trabalhista, onde o emprego valorizado possa vir a representar, através da renda, uma importante parcela do PIB Brasileiro.

Esta é uma das estratégias de inclusão do trabalhador em uma economia moderna que elimina o conflito Capital x Trabalho, Patrão x Empregado e estimula a parceria para atender ao moderno contribuinte, que exige e tem o direito de ter serviços e produtos com qualidade cada vez melhor, atendimento respeitoso e personalizado e preços cada vez mais baixos de todas as empresas e instituições, sejam elas públicas, privadas ou organizações não governamentais.

Esta mesma estratégia poderá desmontar o verdadeiro impasse ao desenvolvimento das empresas, o custo Brasil, uma carga tributária insuportável e uma burocracia que cria dificuldades para vender facilidades de forma insana e desonesta.

Este sistema liquidou a poupança interna privada e pública e usa uma poupança externa a uma taxa de risco proibitiva que só faz o Estado manter uma tendência de aumento de sua divida interna e externa a níveis impossíveis de ser pago.

Esta estrutura de Estado é, entretanto, conseqüência da falência do bom senso das elites brasileiras, da qual fazemos parte, que convive hoje com as “Máfias” que minam e apodrecem o sistema (máfia da educação, da receita federal, do INSS, do judiciário, dos sindicatos, de políticos, dos cartolas do futebol, da droga, do crime organizado, do sistema financeiro).

Esta ruptura não será um trabalho apenas do Presidente Lula, mas de toda a sociedade civil que em sua maioria é honesta, crédula e recuperou a esperança, mas ainda não a auto-estima e a capacidade de se manifestar e reagir.

Aquele estágio anestésico e de letargia como se fosse destino “O Brasil não tem jeito”, “O Brasil não é um país sério”, “O eleitor brasileiro é ignorante e burro”, “Este é o país da impunidade”, “O Brasileiro já nasce corrupto”, “Só vai para cadeia o pobre e negro”, que intimida nossas boas intenções e inibe nossas ações está com seus dias contados.

Se depois da esperança não houver a evolução, haverá não mais o medo e sim a raiva, a revolta e o desmonte o sistema de forma violenta.

Alias a violência e a guerra urbana e civil com o aumento da criminalidade, da exclusão, da informalidade, já é um sintoma da desesperança e da perda de auto-estima de um povo.

Nosso maior problema, hoje, já não é mais político, econômico e social, é o da perda do respeito, da dignidade, do diálogo, do senso de justiça, da auto-estima, da ética, do espírito da solidariedade e da própria estrutura familiar.

E este problema é só nosso ou mundial?

Aprendi com o peruano Hernando de Soto, em recente evento internacional da FIABCI/BRASIL, realizado em conjunto com o SECOVI/SP, consultor da ONU e autor dos livros “The Other Parth” e “The Mystery of Capital”, quando falou sobre o tema “Há solução e Esperança para mais de 1 Bilhão de Habitantes de Favelas no Mundo”? de que a  solução está em nossas barbas. De Soto em sua clareza de exposição colocou : “os excluídos não são o problema, mas sim a solução”.

Todos os excluídos  têm como objetivo e vontade natural de evolução o desejo e a tendência de se incluírem. Os brasileiros desempregados desejam um emprego, todas as pessoas necessitam de uma habitação em condição humana, se alimentar não é apenas uma necessidade, mas um direito natural e universal.

Onde está então o problema?

Na incapacidade de nós incluídos, gerar condições de inclusão: 
1 – Na economia de mais consumidores o que expandiria o mercado. 2 – Na sociedade civil de pessoas dignas, as quais através de uma renda de trabalho e de um titulo de propriedade se sentiriam cidadãos , seguros, e incluídos, ou seja, parte do sistema.

Aumentar impostos é empurrar as empresas para a clandestinidade e criminalidade, não facilitar acesso ao emprego é mandar mais pessoas para o mercado informal, através de uma legislação trabalhista retrograda e burra. É aumentar a quantidade de excluídos e de marginalidade e piorar já a péssima repartição da renda, a injustiça, a impunidade e os indicadores sociais desastrosos do Brasil de ontem e de hoje.

De Soto mostra que os excluídos são, portanto, a solução, pois ou eles se inserem ao mercado, à dignidade de seres humanos e isto cabe a nós sociedade civil e Estado promovermos, ou haverá barbárie, invasões, mortes, independentemente da altura dos muros, das blindagens dos carros, da aparelhagem eletrônica de segurança ou um número maior de guaritas e seguranças armados.

Em 2004 realizar o óbvio é aquilo que tem ser feito, como por exemplo termos um Banco Central independente, implementar a reforma sindical e trabalhista de verdade, completar as reformas tributárias, e previdenciária e iniciar para valer a reforma política e do judiciário,estas ações são o que  se espera de um governante, do qual estamos confiantes que veio para mudar o quadro do atraso administrativo, da gestão ineficaz, do desperdício, da impunidade pública.

Simplificar a  administração pública com cortes de processos ineficazes e que não criam valor agregado,eliminar desperdícios de toda ordem, melhorar produtividade, profissionalizar serviços é imperativo para um crescimento sustentado e melhoria de satisfação dos cidadãos brasileiros.

As tendências positivas da economia e da melhoria dos indicadores de controle de inflação, balança de pagamentos, aumento de exportações e principalmente de credibilidade são necessários mas não suficientes para um crescimento sustentado que possa transformar o crescimento da economia no verdadeiro espetáculo que todos queremos assistir.

O risco do sucesso alcançado é empurrar para  frente ou com a barriga estas medidas em função das eleições municipais e apenas fazer aquilo que vise o poder político de seus partidários, é repetir o erro já cometido pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que frustrou as esperanças e desejo de evoluir da sociedade brasileira.

Meu caro Presidente Lula, faça o óbvio e seja original, ou melhor, seja você mesmo, não se encante e se iluda pelo poder e o desejo de mantê-lo, apenas exerça o poder legítimo em defesa da dignidade da maioria do povo brasileiro, que é excluída do processo de cidadania e da economia brasileira.

Use seu prestigio pessoal para implementar as medidas necessárias para a melhoria da qualidade dos serviços públicos, corte as despesas, serviços desnecessários, desperdícios e não aceite a impunidade. O crescimento sustentado é conseqüência não objetivo.

Lembre-se, Presidente Lula, crescer é aumentar de tamanho evoluir é ficar melhor.

Todos nós brasileiros queremos evoluir, pois esta é nossa vocação e desejo fundamental.

Um Feliz 2004 para você, Presidente Lula e para todos nós brasileiros e principalmente para vocês amigos e amigas que são pacientes e tolerantes na leitura de minhas mensagens.

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